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Diante da pandemia de COVID-19, uma das maiores preocupações da ONU é a disseminação da doença entre as populações mais vulneráveis, como é o caso dos refugiados.

Neste vídeo, a equipe COVID-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com João Roberto Cavalcante, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sobre os desafios que os refugiados enfrentam com a pandemia de COVID-19, especialmente no cenário brasileiro.


COVID-19 DivulgAÇÃO Científica é uma iniciativa que visa fornecer informações confiáveis sobre o novo coronavírus e a doença que causa, a COVID-19.

Realização: Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), sediado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os canais da iniciativa são: TwitterInstagramYouTubeFacebook

Combinação de medicamentos conhecida como ‘kit COVID’ não tem eficácia comprovada e desvia a atenção das medidas que realmente podem frear a pandemia: vacinação, distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos.

Cloroquina ou hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina, vitamina D, zinco. Esses são alguns dos medicamentos distribuídos a pacientes diagnosticados com a COVID-19 – um suposto tratamento precoce contra a doença. O coquetel, que é chamado por muitos de “kit COVID”, não tem eficácia comprovada e, portanto, sua prescrição não pode ser considerada uma medida de saúde pública para controlar a pandemia. Segundo especialistas, o principal risco associado ao mito do tratamento precoce é desviar a atenção do fato de que a COVID-19 pode causar casos graves e mortes e, portanto, devemos tomar medidas capazes de evitar sua transmissão.

Recentemente, diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reafirmaram, repetidas vezes, que não existe tratamento precoce contra a COVID-19. Ainda assim, o tema parece não sumir das redes sociais ou mesmo das medidas tomadas por governantes brasileiros.

No primeiro semestre de 2020, a aposta na cloroquina e na hidroxicloroquina – medicamentos usados para tratar malária e algumas doenças autoimunes – contra a COVID-19 gerou repercussão mundial e foi extensamente estudada em diversos países. Em outubro, a Organização Mundial de Saúde apresentou resultados de pesquisa segundo a qual a hidroxicloroquina, entre outros medicamentos, não teve efeito sobre a mortalidade, a necessidade de ventilação mecânica ou a duração da internação de pacientes com a doença. A recomendação de uso acabou perdendo força em países como os Estados Unidos, mas permaneceu frequente por aqui.

Outros medicamentos, como a ivermectina e a nitazoxanida, não tiveram tanta repercussão global, e seu uso parece estar restrito a poucos países, entre os quais o Brasil. Seus defensores frequentemente justificam-se com base em artigos científicos ainda não revisados por pares, ou cujas conclusões são frágeis. “Para todas essas medicações propostas como tratamentos específicos da COVID-19 (isto é, para combater o vírus), não há evidência confirmatória de eficácia”, destaca o cardiologista Luís Correia, da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, ressaltando que é necessário embasar as condutas médicas em estudos de alta qualidade científica, isto é, confiáveis, com baixo risco de viés e erros aleatórios. A existência de um artigo, isoladamente, não é suficiente para justificar o uso das medicações.

O especialista ressalta, ainda, que a polarização criada, no Brasil, em torno do tratamento precoce da COVID-19 acaba, muitas vezes, invertendo a forma como as evidências científicas embasam medidas de saúde pública. “Não cabe à ciência comprovar a ineficácia dos medicamentos. É o contrário: é preciso que uma substância demonstre eficácia para que se recomende o uso. Sem isso, não se pode recomendá-la”.

Riscos associados

Todo medicamento pode causar efeitos colaterais. Portanto, a decisão de usá-lo ou não envolve avaliar se seus benefícios superam os riscos envolvidos. No caso de um tratamento sem benefícios comprovados, sobram apenas os riscos – alguns já conhecidos, relacionados aos efeitos de cada medicamento no organismo humano, e outros imprevistos. Mas não é isso o que mais preocupa os especialistas, e sim a falsa sensação de segurança gerada pela divulgação do “kit COVID”.

“Se acreditarem que existe um tratamento e que estão protegidas caso sejam contaminadas, as pessoas podem se arriscar mais”, avalia a biomédica Ana Paula Herrmann, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Existe o risco de as pessoas acreditarem que existe um tratamento precoce e, por isso, deixarem de usar as medidas não farmacológicas de prevenção”. Distanciamento social, uso de máscaras, higiene das mãos, testagem e rastreamento de casos e, agora, vacinação continuam sendo as melhores estratégias para o controle da pandemia.

A especialista lembra, ainda, dos gastos associados à compra de medicamentos sem eficácia, em especial em grandes quantidades, da exploração política do tema por prefeitos, governadores e instâncias federais e de como isso desvia a atenção pública daquilo que realmente importa. “É uma perda de tempo”, diz. E, lembrando a recente crise no estado do Amazonas, onde os hospitais ficaram sem insumos básicos como cilindros de oxigênio, avalia: “Manaus é um exemplo do que pode acontecer quando a gente insiste na existência do tratamento precoce”.

Relatos pessoais versus evidências científicas

A internet está cheia de relatos de pessoas que fizeram uso de uma ou mais medicações do “kit COVID” e sobreviveram à doença. É importante notar que a maioria das pessoas que desenvolve a COVID-19 vai mesmo sobreviver, ainda que não faça tratamento algum. “A mente humana não está acostumada a pensar no contra-factual (se não tivesse tomado, sobreviveria), sendo especialmente propícia a fazer relações causais com baixo nível de evidência”, observa Correia. Relatos de casos isolados, que não fizeram parte de estudos nem passaram por validação, não podem ser considerados evidência científica para embasar condutas médicas.

Herrmann lembra que a dificuldade de encontrar um tratamento específico é típica de infecções virais agudas, como a dengue, a zika e a própria gripe. Ainda que se encontre uma droga adequada, o tratamento encontra dificuldades. “Dificilmente conseguimos iniciar um tratamento antiviral de maneira suficientemente precoce para impedir a replicação dos vírus”, explica. O que se faz, nesses casos, é tentar controlar os sintomas com medicamentos não específicos, como antitérmicos e analgésicos – que não devem ser administrados indiscriminadamente, mas apenas em caso de febre ou dor, por exemplo.

Os dois especialistas entrevistados para esta matéria defendem a importância de basear condutas médicas e medidas de saúde pública em evidências de alta qualidade científica. “Isso nos permite decisões racionais, com mais benefícios em termos da população e dos indivíduos”, afirma Herrmann. “Se houvesse racionalidade, não estaríamos discutindo a hidroxicloroquina até hoje, e nem mesmo teríamos essas discussões polarizadas com relação à vacina”, completa Correia.


Após meses de pesquisas com o novo coronavírus, ainda temos questionamentos sobre a imunidade contra a COVID-19.

Neste vídeo, a equipe COVID-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com a imunologista Tatjana Keesen, da Universidade Federal da Paraíba, sobre a resposta imune contra a COVID-19 e sobre a proteção, a longo prazo, promovida pelas vacinas.


COVID-19 DivulgAÇÃO Científica é uma iniciativa que visa fornecer informações confiáveis sobre o novo coronavírus e a doença que causa, a COVID-19.

Realização: Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), sediado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Erupções, urticária e feridas orais são algumas lesões na pele que podem ser causadas pela COVID-19.

Neste vídeo, a equipe COVID-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com Renata Magalhães, dermatologista da Universidade Estadual de Campinas, que explica o porquê da COVID-19 causar as lesões na pele e fala sobre as feridas mais comuns.


COVID-19 DivulgAÇÃO Científica é uma iniciativa que visa fornecer informações confiáveis sobre o novo coronavírus e a doença que causa, a COVID-19.

Realização: Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), sediado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Este vídeo dispõe de janela de libras com apoio do Comitê Fiocruz pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência e da Cooperação Social da Fiocruz.

Estudo avaliou repercussão das decisões da Organização Mundial de Saúde sobre testes com medicamentos na rede social; resultados apontam incompreensão de como a ciência funciona.

Das várias controvérsias suscitadas pela pandemia de COVID-19, a utilização da cloroquina e da hidroxicloroquina para o tratamento da doença foi uma das que mais rendeu debate no Brasil, e as redes sociais constituíram um cenário importante para o compartilhamento de informações e opiniões sobre o tema. Por isso, foram objeto de estudo de pesquisadores do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, que avaliaram postagens publicadas no Twitter relacionadas às decisões da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a realização de testes com os dois medicamentos.

O trabalho de Júnia Ortiz, Antonio Brotas e Luisa Massarani, publicado na Chasqui – Revista Latinoamericana de Comunicación, avaliou mais de 500 mil tweets publicados por usuários brasileiros.  Segundo os autores, “os resultados indicam uma incompreensão quanto ao funcionamento da pesquisa científica e a presença de discursos politicamente interessados contrários à ciência”.

Os rumores de que a cloroquina e seu derivado, a hidroxicloroquina, medicamentos tradicionalmente usados contra a malária e doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, poderiam ser úteis no tratamento da COVID-19 surgiram ainda em março, no início da pandemia. O governo brasileiro comprou o discurso e muito rapidamente anunciou medidas para ampliar a produção desses fármacos e utilizá-los de forma massiva contra a doença causada pelo novo coronavírus. Paralelamente, a OMS também se posicionou, ao longo de 2020, conforme anunciava o andamento dos estudos da iniciativa Solidarity Trial, que reuniu instituições parceiras para investigar a eficácia de tratamentos contra a COVID-19, incluindo o uso da cloroquina.

Um pouco de história

No passado, cloroquina e hidroxicloroquina foram testadas, sem sucesso, para o tratamento de doenças virais como gripe, zika e Aids. No caso da COVID-19, resultados positivos em um teste in vitro alimentaram as esperanças de que o medicamento pudesse ser eficaz. Porém, logo outros testes mostraram que a substância não produzia o efeito desejado nas células do trato respiratório, as mais afetadas pelo novo coronavírus. Desde então, vários estudos, desenvolvidos em diferentes partes do mundo, testaram a droga. O veredito final foi dado pela OMS no dia 15 de outubro de 2020, com a divulgação de uma pesquisa que envolveu 35 países e apontou a ineficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina como tratamento para a COVID-19.

Durante esse processo, no entanto, houve muito debate público sobre o tema. Medidas da OMS, em especial a suspensão temporária dos testes da Solidarity Trial para avaliar se a cloroquina não representava risco para os pacientes (em 25 de maio), a posterior retomada dos ensaios clínicos (em 3 de junho) e, finalmente, sua interrupção definitiva (em 17 de junho), geraram grandes quantidades de postagens no Twitter.

“Esse debate vai colocar em tensão o conhecimento científico, como se a discussão sobre a cloroquina e o seu uso estivesse a cargo de atores fora do campo da ciência e da saúde”, avalia Brotas.

Repercussões

No final de maio, a suspensão temporária dos testes foi motivada por um estudo que sugeria que o tratamento de pacientes hospitalizados com cloroquina e hidroxicloroquina gerava um aumento na taxa de mortalidade. Entre os usuários do Twitter, postagens feitas no dia do anúncio e no dia seguinte destacaram os contornos políticos que a discussão acerca da cloroquina ganhou no Brasil – como o fato de parte da sociedade atribuir o ceticismo em relação à substância como um posicionamento “comunista”.

Uma semana depois, o anúncio da retomada dos ensaios com cloroquina e hidroxicloroquina teve como repercussão, por exemplo, a publicação de críticas à OMS, que teria “mudado de ideia” quanto às suas recomendações de tratamento para COVID-19 – o que demonstra incompreensão dos processos da pesquisa científica, pois a OMS, embora tenha iniciado, suspendido e retomado estudos, não havia recomendado o uso da cloroquina de forma ampla.

Já em 17 de junho, quando os testes com cloroquina e hidroxicloroquina foram interrompidos após a constatação da ineficácia da substância na redução da mortalidade entre os pacientes com COVID-19, curiosamente, não houve muitas referências explícitas à ciência entre os tweets analisados. Os pesquisadores observaram, por outro lado, a presença de informações falsas, incluindo a afirmação de que autoridades políticas estavam usando a cloroquina para se tratar da doença.

Segundo o artigo publicado na Chasqui, “o debate em torno da cloroquina potencializou uma discussão sobre a função da ciência, o papel dos estudos realizados neste contexto e as funcionalidades da pesquisa científica, bem como seu impacto social”. Os autores identificaram que os usuários do Twitter, muitas vezes, usaram informações incorretas ou falsas para construir estratégias argumentativas baseadas em crenças e interesses políticos, mais do que nos resultados de estudos científicos. “Uma marca desses discursos é colocar em dúvida as instituições de ciência e saúde”, destaca Brotas.

O especialista nota, no entanto, que a controvérsia começou na própria comunidade científica. “A discussão da cloroquina e de suas potencialidades não é uma invenção dos negacionistas”, afirma, referindo-se ao desejo, por parte dos grupos de pesquisa, de encontrar e testar soluções para a pandemia – que é, afinal, como a ciência funciona. Porém, entre a publicação de um estudo exploratório e a formulação de uma política de saúde pública, há um longo caminho a percorrer. “O problema é que, mesmo antes de o uso da cloroquina se consolidar como uma estratégia realmente científica, ele foi assumido por agentes políticos”, resume.

Pessoas com COVID-19 que estejam sem sintomas ou com doença leve ou moderada devem ficar em casa e isoladas de outras pessoas. No entanto, nem sempre é fácil.

Este infográfico dá algumas dicas de como evitar a contaminação durante o convívio com outros moradores da mesma casa.


COVID19 DivulgAÇÃO Científica é uma iniciativa que visa fornecer informações confiáveis sobre o novo coronavírus e a doença que causa, a COVID-19.

Realização: Instituto Nacional de Comunicação da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), sediado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Acesse nosso site para baixar os infográficos em alta qualidade. Os canais da nova iniciativa podem ser acessadas em https://instabio.cc/COVID19DC

Ao longo de 2020, acompanhamos o esforço da comunidade científica na compreensão do SARS-CoV-2, da COVID-19 e da pandemia que mobilizou o planeta.

Algumas doenças, como a tuberculose ou o sarampo, acompanham a humanidade há tanto tempo que a ciência tem grande conhecimento acumulado sobre elas, construído ao longo de muitos anos de esforços, geração após geração de pesquisadores. Com a COVID-19, é diferente: desconhecida até o finalzinho de 2019, a doença foi objeto de pesquisa de milhares de grupos de estudiosos ao redor do mundo em 2020.

Olhando por esse ângulo, a quantidade de informação que reunimos, em menos de um ano, sobre o SARS-CoV-2 e a COVID-19 é realmente impressionante. Mobilizada por uma emergência mundial de saúde pública, a comunidade científica global se empenhou para avançar nas questões relativas ao diagnóstico da doença e, claro, nas investigações sobre medicamentos e vacinas.

Além disso, gerou-se conhecimento sobre a relação entre o vírus e os tipos sanguíneos, por que a doença se agrava em alguns pacientes, como o vírus pode infectar o cérebro e se é possível alguém ser reinfectado após se curar da COVID-19. Ah, e os cientistas também chegaram à conclusão de que o novo coronavírus não foi criado em laboratório.

Outra frente importante de trabalho foi a compreensão de como a COVID-19 interage com outras grandes questões de saúde pública, como a resistência das bactérias aos antibióticos, o tabagismo e o controle de insetos transmissores de doenças como a malária.

Pesquisadores também buscaram entender a dinâmica da pandemia no Brasil, na América Latina e em outros lugares do planeta, como os continentes europeu e africano. Há cientistas, ainda, tentando desvendar questões pouco óbvias para um olhar menos especializado: por exemplo, como o monitoramento do esgoto sanitário e até os cavalos podem ajudar na luta contra a COVID-19.

Enfim, apesar do pouco tempo, é admirável o quanto já avançamos em conhecimento contra o novo coronavírus. Mesmo assim, muitas perguntas ainda precisam de respostas – o que sugere que, em 2021, a comunidade científica seguirá trabalhando a todo vapor para encontrá-las. Nós, claro, estaremos aqui para contar a vocês. Até o próximo ano!


Os meses de pandemia cobram seu preço: reveja nossos materiais sobre como a doença afeta o corpo humano e até a vida de quem não ficou doente.

É provável que, pelo menos desde março, sua vida tenha mudado por causa da pandemia. Talvez você tenha passado a trabalhar em casa, ao mesmo tempo em que toma conta dos seus filhos, cujas aulas foram suspensas. Talvez você tenha deixado de fazer os exercícios físicos a que estava acostumado(a). Talvez você tenha perdido o emprego, e comece a encarar os desafios de uma crise econômica… Ainda que seu caso não se encaixe nas frases anteriores, ousamos dizer que a COVID-19, de um jeito ou de outro, mexeu com a vida de todo mundo.

Ao longo dos últimos meses, mostramos como o SARS-CoV-2 atua no corpo humano. Mas há outros impactos, menos óbvios e que chegam até mesmo aos que não ficaram doentes com o vírus. Alguns temas que abordamos até aqui foram os efeitos da pandemia no nosso sono, na nossa saúde mental e na nossa alimentação, o aumento do consumo de bebidas alcoólicas durante períodos de quarentena, as mudanças no ensino e na rotina das crianças e os desafios do trabalho remoto.

Falamos sobre o aumento do sedentarismo e sobre como realizar atividades físicas em tempos de COVID-19, sobre exclusão digital na pandemia e sobre os efeitos desta crise de saúde no mercado de trabalho e também na desigualdade de gênero na ciência. A impressão que dá é que tudo foi impactado, das nossas consultas médicas e tratamentos dentários até o cuidado de nossos animais de estimação. Nas cidades, incluindo as comunidades, e também nas zonas rurais, ninguém saiu ileso.

Grupos vulneráveis e comorbidades

Mas sabemos que nem todas as pessoas foram impactadas da mesma forma. Enquanto alguns usufruem do privilégio de ficar em casa sem comprometer sua renda familiar, outros precisam sair de casa para trabalhar no cuidado em saúde, ou se veem diante da difícil escolha entre se arriscar à contaminação e ficar sem comida na mesa para alimentar a família. Se, para alguns, o risco de desenvolver formas graves da COVID-19 é baixo, para outros, com a saúde já comprometida com outras doenças, a ameaça é incrivelmente mais assustadora.

Por isso, fizemos questão de procurar especialistas para entender como a pandemia afetou diferentes grupos de nossa sociedade, incluindo adolescentes, comunidade LGBT, profissionais de saúde, idosos, gestantes, moradores de rua, quilombolas, comunidades indígenas e crianças. E também como a COVID-19 se relaciona a outras doenças e condições pré-existentes, como alergias respiratórias, HIV/Aids, doenças cardíacas, imunidade baixa, obesidade, asma e diabetes.

A comunidade científica mundial segue empenhada em compreender as diferentes facetas da pandemia de COVID-19. Conte com a gente para disponibilizar informação de qualidade sobre o andamento das pesquisas.


Neste final de ano, alguns países já começaram a vacinar grupos prioritários com imunizantes recém-aprovados. Não há medicamentos de eficácia comprovada para tratar a doença.

Uma das notícias mais celebradas de dezembro foi o início, no dia 8, no Reino Unido, da campanha de vacinação contra o novo coronavírus, SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Nos últimos meses, muito se falou em vacina, e o mundo tem acompanhado o desenvolvimento de vários novos imunizantes, alguns dos quais concluindo as fases de ensaios clínicos, ou seja, testes em seres humanos. Nossa iniciativa participou dessa trajetória, esclarecendo as diferentes etapas do desenvolvimento de vacinas e desmistificando alguns temas que ganharam as redes sociais.

A vacina de Oxford, como ficou conhecido o imunizante desenvolvido pela universidade britânica em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, é uma das que estão sendo testadas no Brasil, como esclareceu, em vídeo, a reitora da Universidade Federal de São Paulo, Soraya Smaili. O produto, antes mesmo de obter qualquer aprovação para aplicação em massa na população, foi alvo de fake news, que, por exemplo, afirmaram que a vacina já estaria sendo vendida na Bahia e que conteria células de fetos abortados – confira nossos textos para entender por que nada disso é verdade.

Acompanhamos o avanço de outras instituições em busca de vacinas, incluindo a apreensão de parte do público pelo fato de alguns imunizantes usarem tecnologias muito novas, como as vacinas de RNA: esclarecemos que elas não alteram o genoma humano. E também explicamos que, embora não haja ainda evidência de que as novas vacinas façam mal às gestantes, essas mulheres não farão parte dos primeiros grupos a recebê-las.

Ainda sem medicamentos

Um dos motivos de urgência na corrida pela vacina contra a COVID-19 é que ainda não há medicamentos de eficácia comprovada contra a doença. Os antibióticos, por exemplo, embora eficazes contra infecções bacterianas, não atuam contra o SARS-CoV-2. A cloroquina e a hidroxicloroquina, defendidas por várias personalidades nas redes sociais, tampouco têm eficácia comprovada contra a COVID-19, e podem causar dano quando utilizadas de forma indiscriminada. Vitamina D e receitas caseiras, como uso de óleo de coco ou alho, também não previnem nem tratam a doença.

Portanto, atenção: enquanto aguardamos a imunização em massa via vacinação, o melhor a fazer é manter o distanciamento social (ele é realmente eficaz); usar máscaras (elas são seguras e funcionam se utilizadas da maneira correta) e higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel. Entenda também qual o risco de se infectar com o novo coronavírus nos diferentes tipos de ambientes, ao tocar objetos contaminados ou durante viagens aéreas, e descubra como se proteger no transporte público.

Lembre-se que o verão não deve acabar com a COVID-19 no Brasil, portanto, não descuide das medidas preventivas. Mesmo pessoas assintomáticas podem transmitir o novo coronavírus, e a prática de usar resultados de testes negativos como salvo conduto para promover festas já se mostrou perigosa. Siga em estado de alerta!


A fadiga é um dos sintomas da COVID-19 e pode durar semanas após a recuperação da doença, diferente do cansaço causado por atividades físicas, por exemplo.

Neste vídeo, a equipe COVID-19 DivulgAÇÃO Científica conversa com o médico Plinio Trabasso, do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, que fala sobre a causa da fadiga na COVID-19 e sobre a falta de tratamento até o momento.


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