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A utilização de suplemento de vitamina D tem sido espalhado por redes sociais como uma forma de prevenir e tratar a infecção causada pelo novo coronavírus, a COVID-19. No entanto, não há estudos que demonstrem a eficácia do uso de vitamina D contra a doença.

A equipe de COVID19 DivulgAÇÃO Científica perguntou a Alessandra Filardy, pesquisadora do Departamento de Imunologia do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “Por que o suplemento de vitamina D não é efetivo na prevenção da COVID-19?”:

“A especulação sobre o uso de vitamina D na COVID-19 se originou quando pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, divulgaram um documento, sem respaldo científico, sugerindo que elevadas doses dessa vitamina (mais de 4.000 IU/d) teriam um papel importante na prevenção e tratamento da COVID-19. No entanto, um estudo publicado por pesquisadores norte-americanos e europeus demonstrou que a suplementação de vitamina D não exerce qualquer efeito em pacientes com COVID-19.

É claro que a manutenção dos níveis adequados de vitamina D no organismo é importante para manter a saúde do indivíduo, uma vez que auxilia na absorção de cálcio e também contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico. Níveis muito baixos de vitamina D podem levar ao raquitismo, e níveis muito elevados podem acarretar um aumento dos níveis de cálcio no sangue e urina, bem como aumento da reabsorção óssea, insuficiência renal, crises convulsivas e até morte. Por isso, a recomendação para uso de suplemento de vitamina D é feita apenas para indivíduos com deficiência desta substância.”

É importante reforçar que o uso de grandes quantidades de vitamina D em forma de suplemento podem causar intoxicação em nosso organismo. Em nota, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) inclui cansaço, fraqueza muscular, náuseas, desidratação, perda da função renal e pedras nos rins como um dos efeitos colaterais de doses excessivas da vitamina.


O anúncio feito pela empresa norte-americana de que obteve resultados positivos com os testes para uma vacina contra a COVID-19 gerou uma onda de esperança nas redes sociais.

A equipe de COVID19 DivulgAÇÃO Científica perguntou a Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia: O que significam os resultados apresentados pela empresa? Sendo otimistas de que a vacina vai funcionar, quais são os próximos passos e quando a vacina pode estar disponível, no melhor cenário?

Resposta de Spilki:

“Ainda são resultados preliminares, também é preciso conhecer mais detalhes desses resultados com os oito indivíduos testados. A segunda fase com 600 pacientes a ser iniciada pode permitir entender melhor o potencial da vacina.
A fase posterior, que examina a proteção em um grupo mais amplo e a proteção em situação de campo, é muito importante.
Empresas têm feito esses anúncios em reports que fazem agitação no mercado financeiro, mas é preciso considerar as fases de teste envolvidas.
Há outras iniciativas, inclusive brasileiras, e é muito importante que haja várias frentes de pesquisa em vacinas, para que se tenha o mais rápido possível mais de uma vacina. Isto porque a existência de mais de uma vacina pode ser importante para o acesso a todos.
Em uma expectativa realista, esperamos que vacinas estejam disponíveis entre o final deste ano e meados do ano que vem. Mas é sempre um desafio muito grande, basta ver o histórico de outras doenças importantes para as quais ainda não temos vacinas.”

Veja também o vídeo
“Vacinas para COVID-19: uma corrida contra o tempo”, produzido por COVID19 DivulgAÇÃO Científica, disponível em:

Foto: Navy Seaman Apprentice Angel Jaskulos/Wikipedia
– https://www.defense.gov/observe/photo-gallery/igphoto/2002199651/, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=83573456

Vimos no Twitter que muitas pessoas têm altas expectativas com o anúncio feito em 15 de maio pela empresa norte-americana Sorrento Therapeutics de que teria encontrado um anticorpo que seria 100% eficaz contra o novo coronavírus. Conforme a própria empresa informou no release enviado a jornalistas, trata-se de um estudo in vitro (ainda em laboratório, sem ter passado pelas etapas de testes em animais e humanos) e ainda não passou pela avaliação no escopo da comunidade científica (revisão por pares).

A equipe de COVID-19 DivulgAÇÃO Científica consultou Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, que respondeu:

“Não é a primeira vez durante esta crise que experimentos ou descobertas em estágios muito iniciais levaram à flutuação ou de ações de empresas ou da cotação do dólar ou outras moedas. O mesmo aconteceu com o remédio Redemsivir. É preciso que as pessoas entendam que é necessário ter calma e que se mantenham os parâmetros normais da boa ciência para que tenhamos soluções – não apenas uma solução – mas sim diversos fármacos e imunobiológicos para enfrentar essa crise. É preciso seguir os parâmetros normais de fazer ciência com comprovação. No caso de terapias, é fundamental que se tenham resultados relativos a experimentos em animais e em seres humanos para que se tenha absoluta certeza do que deve ocorrer. Todos nós estamos muito preocupados e todos nós estamos atrás de uma solução definitiva para essa crise. Mas não vamos conseguir solucionar nada com notícias de estudos preliminares. Repito: é necessário que se faça boa ciência.”

COVID19 #novocoronavirus

Release da empresa: https://investors.sorrentotherapeutics.com/news-releases/news-release-details/sti-1499-potent-anti-sars-cov-2-antibody-demonstrates-ability

Com o intuito de avaliar o impacto da pandemia da COVID-19 na saúde mental do brasileiro, o Ministério da Saúde disponibilizou um questionário online para as pessoas responderem como se sentem diante de todo o processo que envolve o enfrentamento da pandemia. O objetivo é rastrear a existência de depressão, ansiedade e estresse na população brasileira e, posteriormente, subsidiar políticas públicas nas unidades de atenção psicossocial.

O questionário online, que pode ser respondido até dia 15 de maio, está disponível no link: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46845-ministerio-da-saude-quer-saber-como-anda-a-saude-mental-do-brasileiro

A equipe de COVID19 DivulgAÇÃO Científica ouviu nas redes sociais um pessoal dizendo que está protegido da doença porque já pegou. Será? Checamos com Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia:

“Tudo indica que nem todo mundo que teve a COVID-19 fica protegido de desenvolver a doença outra vez. Isso tem sido observado em dados obtidos em ensaios laboratoriais buscando anticorpos neutralizantes (efetivamente protetores) contra o SARS-CoV-2 em indivíduos que tiveram COVID-19 e a evidência de pessoas que se reinfectam pelo vírus. É importante ressaltar que mesmo positiva no teste rápido para anticorpos, uma pessoa não está totalmente protegida da doença.”

Será então que fica difícil obter uma vacina? Spilki respondeu:

“Esse é um achado comum para outros coronavírus em seres humanos e animais, uma imunidade não muito consistente e de curta duração quando comparada a outros tipos de vírus. Isso provavelmente implicará que as vacinas terão de ser formuladas de modo a se obter uma estimulação mais robusta do sistema imune, bem como provavelmente terão de ser feitas revacinações periódicas para reforço. Há muito por descobrir.”

A Organização das Nações Unidas lançou dia 27 de abril um documento com novas diretrizes para apoiar os países na recuperação social e econômica, criando uma nova economia e mais empregos depois da pandemia da COVID-19.

Alertando que não haverá retorno ao “antigo normal”, a ONU pede apoio internacional e compromisso político para que todas as pessoas tenham acesso a serviços essenciais e proteção social.

Acesse o documento em inglês.

A equipe de COVID-19 DivulgAÇÃO Científica ouviu nas redes sociais a dúvida se o face shield substitui as máscaras faciais e pediu que o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki, respondesse a questão:

Face shield é um complemento importante principalmente para profissionais que atuam na área da saúde, para indivíduos que precisam trabalhar continuadamente nos ambientes de trabalho atendendo por exemplo em supermercados, comércio etc e é muito importante nos laboratórios. Mas o face shield deve ser usado conjuntamente com máscara, porque ele não impede partículas que venham pelo ar entrem em contato com a mucosa do nariz e boca por onde se dá a infeção. Então, face shield e máscara precisam ser usados de forma associada.”

Lembramos que nenhuma máscara facial protege totalmente uma pessoa de se contaminar com o novo coronavírus. A melhor proteção é o isolamento social. Se puder, fique em casa.

Carissa F. Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Foto por Violaine Martin

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, disse que as medidas de distanciamento social estão dando às sociedades a oportunidade de se preparar e responder a pandemia da COVID-19, e que qualquer tentativa posterior de fazer a transição para medidas mais flexíveis deve ser tomada com extrema cautela.

Extraído do Boletim da ONU Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lança o curso COVID-19: manejo da infecção causada pelo novo coronavírus. A iniciativa é do Campus Virtual Fiocruz.

O curso é aberto, gratuito, autoinstrucional e oferecido à distância (EAD). 

Esse modelo considera uma ampla rede de trabalhadores que estão na linha de frente do combate à COVID-19. Atualmente, o Brasil tem cerca de 3 milhões de profissionais de saúde. 

Inscrições abertas no Campus Virtual da Fiocruz

A premiada cineasta britânica Phoebe Holman perdeu seu trabalho com a pandemia do novo coronavírus. Mas decidiu usar o tempo positivamente, produzindo o documentário The Covid-19 Diaries (Os Diários da Covid-19), que convida pessoas do mundo inteiro a gravar suas experiências únicas durante a pandemia.

Se quiser ter sua voz ouvida e ver algumas contribuições, visite o site The Covid-19 Diaries e participe do grupo no Facebook.