Benefícios da vacinação contra COVID-19 na faixa etária dos 30 anos superam riscos de complicações

Efeitos adversos da vacina são raros, ao contrário do que sugere entrevista veiculada em uma rádio com audiência nacional.

Recentemente, um médico com presença frequente em um famoso programa humorístico de rádio desencorajou pessoas na faixa etária dos 30 anos de tomarem a vacina contra a COVID-19. “Você pega um ‘cara’ de 30 anos, atleta, tem uma miocardite, e pode não ser reversível”, disse. “Não vale o risco, você tem 30 anos ou menos, você ter um trombo”, prosseguiu.

Assim como outros cientistas envolvidos no combate à pandemia, o infectologista Unaí Tupinambás, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também membro do comitê de enfrentamento da COVID-19 na Universidade e na Prefeitura de Belo Horizonte, considera o posicionamento equivocado.

Segundo o pesquisador, a letalidade é menor na faixa etária mais jovem. “No entanto, o risco desta infecção não é zero”, pondera Tupinambás. “Além disso, precisamos lembrar que o pós-covid pode afetar pessoas que têm quadro brando e moderado da doença. O pós-covid é cansaço crônico, dificuldade de concentração, falta de ar, tem uma série de fatores que pode acontecer depois da COVID-19. Ou seja, o SARS-CoV-2 é um vírus para não se pegar, não se pode deixá-lo solto, livre, circulando”, adverte. 

O infectologista lembra que quanto maior a circulação do vírus no ambiente, maiores são as chances que ele sofra mutações. “Vimos isto ocorrer com a variante Alfa e estamos vendo com a Gama, que tem uma letalidade um pouco maior, uma morbidade maior, inclusive nos jovens”, observa.

Trombose

Unaí Tupinambás ressalta que a trombose – quando um coágulo de sangue bloqueia uma veia ou uma artéria – também pode ocorrer na chamada COVID longa, ou seja, após a infecção por COVID-19. “Temos visto muito isso, inclusive impactando o sistema de saúde. As pessoas que tiveram COVID retornam ao hospital em quatro semanas, seis semanas, com falta de ar e dor no peito. Após o exame, é uma trombose pulmonar, uma embolia pulmonar por conta da COVID”, relata.

“Se você não tomar a vacina, caso contraia a COVID, sua chance de trombose, ou mesmo de outras complicações, é muito maior do que aquelas chances de trombose pela vacina”, compara. Ele lembra que o risco de trombose em decorrência da vacinação é de apenas quatro casos em um milhão.

Miocardite

No caso da miocardite – inflamação no coração ou na pele que envolve o órgão, neste caso chamada de pericardite – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta, no último dia 9 de julho, sobre o risco de ocorrência do quadro após a aplicação das vacinas da Pfizer e da Moderna (apenas a primeira está sendo aplicada no Brasil). 

Há estudos publicados sobre a associação entre a vacina da Pfizer e a ocorrência de miocardite em adolescentes. Os sintomas incluem dor no peito, falta de ar, palpitações ou alterações de batimentos cardíacos e podem surgir alguns dias após a vacinação, especialmente depois da segunda dose. A Anvisa esclarece que o risco de ocorrência desses eventos adversos é baixo, mas os casos devem ser notificados e acompanhados, e ressalta que mantém a recomendação de continuidade da vacinação com o imunizante.

Unaí Tupinambás lembra que qualquer tipo de intervenção que envolve a saúde tem um risco inerente. “Se você tomar uma aspirina, pode ter um sangramento intestinal que irá te levar para o CTI”, exemplifica. “Com todas as vacinas podem acontecer efeitos colaterais. Aqueles mais graves, felizmente, são muito raros, são dois casos por milhão de pessoas vacinadas. Diante disso, o benefício é muito maior”, assegura.


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