Mulheres com endometriose podem se vacinar contra a COVID-19, sem contraindicações

Não há evidências científicas de que vacinação seja contraindicada para pacientes com quadro grave da doença crônica, como sugere vídeo que viralizou no Instagram

Em um vídeo com mais de 53 mil visualizações no Instagram, identificado pelo aplicativo parceiro Eu fiscalizo, uma usuária aconselha quem tem endometriose grave a não se vacinar contra a COVID-19 e diz acreditar que o mal-estar sentido após a vacinação tenha sido provocado pelo coronavírus.

Como já mostramos aqui, muitas pessoas têm confundido sintomas da COVID-19 com reações esperadas após a vacina. É importante lembrar também que nenhuma vacina é 100% eficaz contra o vírus, daí a importância de manter cuidados como usar corretamente a máscara, evitar aglomeração de pessoas e lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool gel. Mas, ao contrário do que o relato leva a crer, mulheres com endometriose podem, sim, ser vacinadas contra a COVID-19. Até o momento, não há qualquer restrição quanto à aplicação dos imunizantes disponíveis no Brasil para esse público.

“Não há qualquer evidência que aponte para o agravamento da endometriose por causa da COVID-19, nem que mulheres com quadro grave da doença tenham alguma contraindicação para o uso das vacinas”, assegura a professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Márcia Mendonça Carneiro. “A doença é benigna e não aumenta o risco de efeitos colaterais das vacinas. Obviamente, mulheres que apresentem comorbidades associadas devem receber orientação médica”, prossegue.

COVID-19 e endometriose

A endometriose é uma doença crônica, caracterizada pela presença do endométrio, a camada que reveste a parte interna do útero, fora do órgão. Em algumas situações, o revestimento uterino, normalmente eliminado com a menstruação, volta pelas trompas e se acumula em locais como ovários, intestinos, bexiga e até mesmo nos pulmões. Alguns dos sintomas comuns são cólicas, dor durante o ato sexual e irregularidade no ciclo menstrual. Casos mais graves podem levar à infertilidade. 

Mulheres com endometriose não são consideradas um grupo de risco caso sejam infectadas pelo coronavírus. Entretanto, uma das consequências negativas da atual pandemia para elas foi a interrupção ou o abandono do tratamento, inclusive o adiamento de cirurgias previamente programadas. 

Em uma pesquisa realizada na Austrália, 60% das mulheres com endometriose afirmaram que a pandemia piorou suas condições de saúde, em razão de atrasos nos atendimentos e tratamentos, inclusive pelo receio em procurar ajuda por medo de se expor à contaminação. “Trata-se de doença benigna, crônica, que exige cuidado contínuo, pois não há cura, e pode haver o retorno dos sintomas, principalmente a dor pélvica, uma vez interrompido o tratamento”, alerta a professora. 

Carneiro convida pessoas interessadas em acompanhar informações confiáveis sobre o tema a seguirem o perfil mantido pela coordenação da equipe multidisciplinar de endometriose e dor pélvica crônica (DPC) do Hospital das Clínicas da UFMG. Na biografia, é possível acessar o link e participar de uma pesquisa em curso sobre os impactos físicos e mentais da pandemia da COVID-19  para a saúde da mulher com endometriose e DPC no Brasil.


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