RETROSPECTIVA: Vacinas e medicamentos contra COVID-19

Neste final de ano, alguns países já começaram a vacinar grupos prioritários com imunizantes recém-aprovados. Não há medicamentos de eficácia comprovada para tratar a doença.

Uma das notícias mais celebradas de dezembro foi o início, no dia 8, no Reino Unido, da campanha de vacinação contra o novo coronavírus, SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Nos últimos meses, muito se falou em vacina, e o mundo tem acompanhado o desenvolvimento de vários novos imunizantes, alguns dos quais concluindo as fases de ensaios clínicos, ou seja, testes em seres humanos. Nossa iniciativa participou dessa trajetória, esclarecendo as diferentes etapas do desenvolvimento de vacinas e desmistificando alguns temas que ganharam as redes sociais.

A vacina de Oxford, como ficou conhecido o imunizante desenvolvido pela universidade britânica em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, é uma das que estão sendo testadas no Brasil, como esclareceu, em vídeo, a reitora da Universidade Federal de São Paulo, Soraya Smaili. O produto, antes mesmo de obter qualquer aprovação para aplicação em massa na população, foi alvo de fake news, que, por exemplo, afirmaram que a vacina já estaria sendo vendida na Bahia e que conteria células de fetos abortados – confira nossos textos para entender por que nada disso é verdade.

Acompanhamos o avanço de outras instituições em busca de vacinas, incluindo a apreensão de parte do público pelo fato de alguns imunizantes usarem tecnologias muito novas, como as vacinas de RNA: esclarecemos que elas não alteram o genoma humano. E também explicamos que, embora não haja ainda evidência de que as novas vacinas façam mal às gestantes, essas mulheres não farão parte dos primeiros grupos a recebê-las.

Ainda sem medicamentos

Um dos motivos de urgência na corrida pela vacina contra a COVID-19 é que ainda não há medicamentos de eficácia comprovada contra a doença. Os antibióticos, por exemplo, embora eficazes contra infecções bacterianas, não atuam contra o SARS-CoV-2. A cloroquina e a hidroxicloroquina, defendidas por várias personalidades nas redes sociais, tampouco têm eficácia comprovada contra a COVID-19, e podem causar dano quando utilizadas de forma indiscriminada. Vitamina D e receitas caseiras, como uso de óleo de coco ou alho, também não previnem nem tratam a doença.

Portanto, atenção: enquanto aguardamos a imunização em massa via vacinação, o melhor a fazer é manter o distanciamento social (ele é realmente eficaz); usar máscaras (elas são seguras e funcionam se utilizadas da maneira correta) e higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel. Entenda também qual o risco de se infectar com o novo coronavírus nos diferentes tipos de ambientes, ao tocar objetos contaminados ou durante viagens aéreas, e descubra como se proteger no transporte público.

Lembre-se que o verão não deve acabar com a COVID-19 no Brasil, portanto, não descuide das medidas preventivas. Mesmo pessoas assintomáticas podem transmitir o novo coronavírus, e a prática de usar resultados de testes negativos como salvo conduto para promover festas já se mostrou perigosa. Siga em estado de alerta!


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