Crianças também podem ficar doentes com o novo coronavírus

A ciência ainda está tentando entender esta nova doença, a COVID-19, mas já tem algumas certezas – uma delas é que pessoas de qualquer idade podem ser acometidas.

Corre por aí que as crianças não são suscetíveis ao novo coronavírus, o SARS-CoV-2, e que, por isso, não há sentido em manter as escolas fechadas. Isto é fake news! Pessoas de qualquer idade podem ser contaminadas por esse vírus.

Desde o início da pandemia, cientistas e gestores de saúde vêm observando como a doença se comporta ao redor do mundo. Logo cedo, ficou claro que as manifestações graves da COVID-19 são mais raras em pessoas com menos de 10 anos. Veja bem: “mais raras” não significa que crianças não desenvolvam a doença! Há, inclusive, casos de crianças com Síndrome Inflamatória Multissistêmica, um quadro de inflamações graves em diversos órgãos e sistemas, que parece estar associado à COVID-19.

Mesmo se não ficarem doentes, acredita-se que as crianças possam ter um papel na transmissão da infecção para outras pessoas, ou seja, elas podem ser contaminadas com o vírus e passá-lo para outros indivíduos. Afinal, crianças não vivem sozinhas e, se contaminadas na escola, por exemplo, poderiam levar o vírus para casa, inclusive a idosos e adultos com problemas de saúde que os colocam no grupo de risco para as formas graves da COVID-19.

A suspensão das aulas presenciais em escolas de muitos países foi uma resposta a essa e outras questões relacionadas ao novo coronavírus.

“O primeiro aspecto é reconhecer que as informações vêm aos poucos. A ciência é construída com o acúmulo de conhecimentos. E há ainda muitas lacunas, ainda temos muito a aprender”, admite o pediatra e infectologista Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No decorrer da pandemia, avalia o especialista, já foi possível consolidar alguns conhecimentos sobre o comportamento da COVID-19 em crianças. “O primeiro é que a COVID-19, na população abaixo dos 10 anos de idade, tem um cenário muito mais favorável do que entre adultos, com menos complicações, menor índice de hospitalizações e menor número de óbitos”, afirma. Mas ressalva: “Não quero dizer, com isso, que não haja risco de morte entre crianças. Infelizmente, há”.

Sáfadi explica que, se entre os adultos já foi possível identificar com mais clareza quais são os grupos de risco para desenvolver as formas graves da doença – idosos, pessoas com doenças de pulmão ou coração, diabetes ou condições que afetam seu sistema imunológico –, entre as crianças esses grupos de risco não são tão claros: eis mais uma questão que a ciência ainda precisa responder.

A hora certa de reabrir as escolas

Depois de mais de quatro meses mantendo as crianças fora da escola no Brasil, é claro que há muita expectativa sobre quando será possível voltar à sala de aula. Com a reabertura de escolas em países da Ásia e da Europa, observou-se surtos pontuais de COVID-19 em algumas localidades. “Foi menos problemático do que esperávamos, mas ainda é necessário ter cautela”, avalia Sáfadi.

Perguntado sobre se já estaria na hora de as escolas brasileiras retomarem as aulas presenciais, ele é categórico: “Em locais que estão vivendo um aumento no número de casos, seria temerária a reabertura das escolas”. O especialista explica que os locais onde as aulas já recomeçaram experimentavam uma situação epidemiológica peculiar, com queda no número de casos de COVID-19. A realidade brasileira ainda não é tão favorável.

Sáfadi acredita que a reabertura das escolas deve ser pensada localmente, já que a situação da COVID-19 varia de uma região para a outra. “Precisamos de um planejamento criterioso e uma abertura parcimoniosa, em locais onde a gente tenha a doença sob controle”, sugere.

A reabertura das escolas é um tema controverso que envolve muitas variáveis. Para aprofundar a discussão, confira aqui o infográfico que fizemos sobre o tema. Publicamos também um vídeo que continua o debate. Não deixe de conferir!

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